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Bomba atômica e terrorismo: um mundo ou nenhum
Em 1946, quinze dos maiores cientistas do mundo, um analista político, um general de exército e a Federação de Cientistas Americanos, apavorados com a nova realidade mundial do poder de destruição da bomba atômica, se reuniram para lançar o livro Um mundo ou nenhum: um relatório ao público sobre o pleno significado da bomba atômica. A idéia da publicação era trazer vários artigos que tinham como proposta responder a seguinte questão: de que forma a ameaça da bomba atômica poderia ser eliminada?
Lançado com muito sucesso na época, o livro foi relançando em 2007 pela editora The New Press, a editora original, e agora é publicado no Brasil pela editora Paz e Terra. No novo prefácio assinado por Richard Rhodes — autor de 22 livros, incluindo The Making of the Atomic Bomb, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de 1987 — o estudioso justifica a nova edição da obra: “O problema fundamental apresentado em 1946 permanece inalterado, enraizado como é na realidade física (...). Esta nova edição de um livro repleto de informações, sagaz e, em última análise, esperançoso, dá muito o que pensar”.
Com uma lista de artigos de grandes cientistas, entre eles, cinco prêmios Nobel como Niels Bohr, Albert Einstein e Robert Oppenheimer, a obra apresenta vários textos que trazem divergências de opiniões, porém todos têm como foco a grave situação gerada pela criação da bomba atômica e as formas de evitar que novos desastres atômicos aconteçam. Em um dos ensaios, escrito pelo antigo diretor-adjunto de Los Alamos, Edward Condon, foi prevista a possibilidade de terroristas virem a adquirir ou construir bombas atômicas e usá-las como armas de terror. Nota: o texto foi escrito muito anos antes do episódio do 11 de Setembro.
Em outro artigo, Einstein sugere uma única saída: que sejam estabelecidas condições que assegurem aos Estados o direito de solucionar seus conflitos com outros Estados em bases legais e sob jurisdição internacional e que uma organização internacional impeça que os Estados declarem guerra. “Somente quando essas duas condições tiverem sido integralmente atendidas poderemos ter algum grau de certeza de que, de uma hora para outra, não iremos desaparecer na atmosfera dissolvidos em átomos”, escreve o cientista.
Além dos já citados, Um mundo ou nenhum traz artigos de H. H. Arnold, Hans Bethe, E. U. Condon, Irving Langmuir, Walter Lippmann, Philip Morrison, Louis N. Ridenour, Frederick Seitz, Harlow Shapley, Leo Szilard, Harold C. Urey, Eugene P. Wigner, Gale Young, Harlow Shapley. A organização é de Dexter Masters e Katharine Waye, o prólogo é de Niels Bohr e a introdução de Arthur H. Compton.
A bomba atômica nos dias de hoje
Segundo Richard Rhodes, no prefácio da obra:
“O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), entre outros, colocou limites à proliferação atômica. O governo George W. Bush não favoreceu os tratados. O Tratado de Mísseis Anti-Balísticos foi abandonado, e o TNP deixado de lado, mas este último, pelo menos, pode ser revisto. As superpotências reduziram significativamente seus arsenais e já ameaçam umas às outras de forma direta. Ao mesmo tempo, os materiais nucleares em situação de segurança abaixo de ótimo e os grupos subnacionais que nada têm a perder abrem novas frentes de risco.”
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Editora Paz e Terra
2008
1º Ed.
230 Páginas
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 9788577530731
R$ 45,00
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